Hoje não estou com paciência.
Ainda assim, ESCREVO.
Deitada entre lençóis em uma cama nada macia,
descrevo a trajetória de minha mente sempre vazia.
Por mais um dia a confusão permanesceu.
O silêncio dos meus sentimentos me perturbam por mais esta noite.
Sinto em minha alma a incapacidade de atuar,
de imaginar longos mistérios aos quais eu possa me entregar.
Rumo ao nada.
Uma caixa de surpresas.
A infelicidade abrangeu todo o meu corpo.
Mente, alma e coração
entregues à ausência de uma paixão.
Sinto-me como se até mesmo minhas ilusões houvessem me deixado,
por se surpreenderem meu estado que elas mesmas haviam criado.
Com toda a ausência de hipocrisia,
começo a entender que apesar da falta de um amor e a presença de uma mente conturbada,
ainda assim não estou vazia.
Meu coração ainda bate, posso sentí-lo,
não importa com quem esteja.
Sinto-me feliz!
Voltei à minha própria essência.
Outrora havia me esquecido,
lembrando-me apenas de um dono.
Hoje sinto-me toda,
mesmo sendo metade do inteiro que eu sou.
Completa.
Completa estou sem a necessidade de um amor.
Embora ele bata à porta e eu esteja à ponto de abrí-la.

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