
E o seu coração já estava tão espremido quanto seu corpo sendo abraçado pela parede. Naquele canto porém, apenas lágrimas saíam-lhe com facilidade. Nenhum grito e não há respiração ofegante. Apenas lágrimas. Que transformavam seu protesto em gemidos. A causa porém, inexprimível. Nada tão pequeno que pudesse ser expelido por lábios. Causa injusta. A razão não era mínina a ponto de ser legível em seu semblante. Horas depois, só o mar lhe acalmou. Imprensou as lágrimas entre os sílios e seguiu. Andou em pedras duras, afiadas, até que uma perfurou-lhe o calcanhar. Nada tão terrível que lher fizesse chorar.. mais que aquela causa que ainda tento cogitar. Amor. Amor era o nome de toda aquela dor. Que lhe levava a gritar em silêncio. Um amor sego, surdo e baixo. Sim, muito baixo. Sem classe alguma. Que não respeita regras. Amor inexprimível, inexplicável, inafagável. Amor que nem mesmo conseguia flutuar. Amor hipócrita e incapaz de fazer o outro amar. E foi por esse amor, que ela, daquelas pedras, jogou-se no mar.

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